Ralf
Essa viagem foi um sonho. Passamos por vários lugares únicos e lindos. Seria muito legal fazer o mesmo roteiro de carro. Por que então fomos de moto?
Tenho motos
há 20 anos. Tive quatro diferentes nesse período. Três “bikes” (motos de
corrida para usar também na rua) e agora uma big trail. Nunca tinha andado de
Harley mais do que uma volta na quadra.
O senso comum associa moto a perigo, a risco, a acidentes
terríveis, à morte. Como ortopedista e traumatologista, passei boa parte da
vida atendendo “motoqueiros”- tratando de suas fraturas, suas sequelas.
Mas pra mim moto não tem nada a ver com morte. Pelo contrário.
Pilotando uma moto me sinto mais vivo do que nunca. Uso todo o meu corpo para
mudar de direção, freiar, acelerar. Os sentidos ficam mais aguçados : olho com
mais atenção, escuto o motor e o que acontece ao meu redor, cheiro os
lugares por onde passo, sinto o calor, o vento, o frio (nunca vou me esquecer
do cheiro de Yosemite Park, do calor do Deserto de Mohave, do vento que me
obrigou a andar “de lado” durante quase 100 quilômetros no Altiplano entre
Argentina e Chile quando fui ao Atacama...). Pra mim, moto é vida! É viver a
viagem com intensidade, é sentir a estrada e cada lugar por onde passo.
Além disso, a moto agrega pessoas que dividem o mesmo sonho. Quando
passamos por outras motos na estrada, nos cumprimentamos; quando encontramos algum
outro motociclusta, parece que somos amigos de longa data. Quando paramos para
abastecer ou comer, crianças cutucam seus pais para ver as motos; pessoas pedem
para tirar fotos como se fossem elas pilotando...
É difícil explicar essas sensações pra quem nunca pilotou uma
moto... Mas, de moto é bem melhor!!!






Caro Ralf, excelente definição sobre um dos muitos sentimentos do que vem a ser andar de moto.
ResponderExcluirParabéns pela aventura e companhias.
Abs Carlos